A nutrição parenteral e a alimentação em casos de falência intestinal ainda geram muitas dúvidas entre pacientes, familiares e até profissionais da saúde de outras áreas. Por isso, reunimos algumas das perguntas mais frequentes, para esclarecer os principais mitos e verdades sobre o tema.
Se o paciente toma o mesmo leite/dieta que os pacientes com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), isso significa que ele também tem alergia?
Essa é uma dúvida bastante comum. Muitas vezes, pacientes com falência intestinal ou com dificuldade de absorção são orientados a utilizar fórmulas alimentares que também são usadas em casos de APLV. No entanto, isso não significa que a criança tem alergia.
A escolha desse tipo de fórmula/dieta é feita porque ele possui as proteínas parcialmente hidrolisadas (ou seja, parcialmente “quebradas”), o que facilita a digestão e a absorção dos nutrientes, sem sobrecarregar o trato gastrointestinal.
Quem tem falência intestinal pode consumir leite e derivados normalmente?
Depende da fase em que o paciente se encontra. O leite de vaca e seus derivados contêm lactose e gordura, que podem aumentar a produção de gases, causar distensão abdominal e piorar quadros de diarreia.
Por isso, a introdução desses alimentos deve ser feita de forma gradual e apenas quando o paciente estiver em uma fase mais estável dos sintomas intestinais.
Pessoas com intestino curto podem tomar café?
O café merece atenção especial nesse contexto. Ele tem um efeito conhecido de acelerar o trânsito intestinal, o que pode piorar quadros de diarreia em pacientes com intestino curto.
Além disso, o café contém oxalato, uma substância que, em excesso, pode favorecer a formação de cálculos renais, especialmente em pacientes com má absorção intestinal.
Isso não significa que o café seja proibido para todos, mas o consumo deve ser cuidadosamente avaliado caso a caso.
Pacientes que recebem Nutrição Parenteral (NP) sentem fome?
Essa é uma pergunta que a ciência tem estudado com bastante atenção. A Nutrição Parenteral oferece os nutrientes diretamente pela corrente sanguínea, o que gera sinais metabólicos e hormonais de saciedade.
No entanto, a fome é uma experiência multifatorial: além dos sinais fisiológicos, ela também envolve aspectos emocionais, comportamentais e sociais. Por isso, alguns pacientes podem relatar sensação de fome, apetite ou vontade de comer, mesmo durante a NP, especialmente quando estão em casa ou em lugares recreativos
A infusão da NP deixa o paciente mais agitado?
Não existe evidência científica que comprove que a Nutrição Parenteral, por si só, cause agitação nos pacientes. A NP, quando bem administrada, não deve gerar esse tipo de reação.
Entretanto, alterações bruscas nos níveis de glicose no sangue, desequilíbrios de eletrólitos ou infecções podem sim causar agitação, inquietação ou até confusão mental. Por isso, é fundamental o acompanhamento clínico rigoroso durante o uso da NP.
Já que recebe todos os nutrientes pela NP, é possível comer o que quiser pela boca?
Essa ideia é um grande mito! Para que o processo de desmame da NP aconteça de forma segura e eficaz, a alimentação oral precisa ser saudável, equilibrada e completa.
Isso significa incluir frutas, verduras, cereais, proteínas e todos os outros grupos alimentares necessários para garantir a absorção adequada de nutrientes e a manutenção da saúde.
A dieta oral ou enteral é igual para todos os pacientes com falência intestinal?
Definitivamente, não! Cada caso de falência intestinal é único, pois as doenças de base que levam a essa condição são variadas. Por isso, a prescrição da dieta também precisa ser individualizada.
Existem pacientes que necessitam de uma dieta com efeito mais obstipante, enquanto outros precisam de uma dieta com efeito mais laxativo. O tipo de fibra, o grau de fermentação dos alimentos, o fracionamento das refeições e até os hábitos alimentares da família são levados em consideração na elaboração da conduta nutricional.
A nutrição em casos de falência intestinal e o uso da Nutrição Parenteral exigem um olhar cuidadoso, individualizado e baseado em evidências científicas atualizadas. Cada paciente tem necessidades específicas, que devem ser respeitadas e acompanhadas por uma equipe multiprofissional especializada.
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